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    Confira aqui as análises, entrevistas e repercussões de notícias que você pode ouvir e baixar. As reportagens +RFI propõem a cobertura de eventos importantes no mundo inteiro feita pelos repórteres e correspondentes da Rádio França Internacional.

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    Latest Episodes:
    De La Espriella reforça guinada à direita na América Latina e aproxima Colômbia dos EUA Aug 11, 2026
    Show notes

    A chegada de Abelardo De La Espriella à presidência da Colômbia reforça a guinada à direita na América Latina e a crescente influência dos Estados Unidos na região. Em seu discurso de posse, na última sexta-feira (7), em uma base militar em Cali, no sudoeste do país, o novo presidente sinalizou a intenção de estreitar as relações com Washington e alinhar sua política de segurança às prioridades dos Estados Unidos.

    Pedro Pannunzio, especial de Cali para a RFI

    No fim de semana, De La Espriella ordenou operações militares em várias regiões do país contra dissidências das Farc e o Clã do Golfo, marcando o início de uma estratégia de combate frontal aos grupos armados. As ações conduzidas pela Força Pública resultaram em mortes, prisões e na apreensão de armas e material de inteligência.

    Durante a posse, o presidente afirmou que um dos primeiros atos de seu governo seria aderir ao "Escudo das Américas", para "fortalecer a ação conjunta das nações livres diante das ameaças que afetam a segurança regional". A declaração foi feita diante de centenas de militares perfilados em posição de sentido.

    A organização, que reúne países liderados por políticos de direita alinhados a Washington, foi criada em março deste ano pelo governo de Donald Trump com o objetivo de estabelecer uma cooperação militar no continente americano.

    Os Estados Unidos, por sua vez, anunciaram a intenção de enviar a Colômbia uma ajuda financeira de US$ 1 bilhão “como parte de um pacote de segurança para apoiar o governo do Presidente De La Espriella na conquista de objetivos comuns”, de acordo com um comunicado divulgado pelo Departamento de Estado no dia da posse do novo dirigente sul-americano.

    No domingo (9), a presidência colombiana divulgou uma nota em que afirma ter recebido “com profunda satisfação” o anúncio da intenção de financiamento. O comunicado diz, ainda, que o pacote fortalece o uso de “tecnologia norte-americana de alto nível” pelas forças armadas do país agora comandado por De La Espriella.

    Para Vladimir Rouvinski, professor de relações internacionais da Universidade Icesi, em Cali, a nova configuração da relação entre os dois países guarda semelhanças com uma experiência do passado.

    “O que nós provavelmente veremos é uma espécie de Plano Colômbia 2.0. O Plano Colômbia inicial buscava, em várias frentes, enfrentar a questão do narcotráfico na Colômbia a partir do fortalecimento das Forças Armadas colombianas.”

    O Plano Colômbia foi um acordo de cooperação bilateral em conjunto com os Estados Unidos criado em 1999. O projeto combinou ajuda financeira em larga escala e apoio militar norte-americano para combater o narcotráfico e enfraquecer grupos guerrilheiros de esquerda, como as FARC.

    A chegada de De La Espriella ao poder ocorre em um momento de fortalecimento de lideranças de ultradireita na região. O novo presidente colombiano, que nunca havia ocupado um cargo público, tem entre suas promessas a construção de megapresídios inspirados no modelo adotado pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele.

    Austeridade e política linha-dura

    Na área econômica, ele deve implementar medidas de austeridade. Em seu primeiro discurso como presidente do país, prometeu publicar um decreto para congelar os gastos públicos, sem explicar exatamente como a medida funcionaria. “O regime que deixa o poder promoveu um crescimento desmedido dos gastos, baseado em um endividamento que enfraqueceu as finanças nacionais”, alegou. Por outro lado, disse que iria eliminar o imposto ao patrimônio.

    Carlos Ortiz, professor da Universidade del Valle, acredita que as políticas do governo colombiano devem levar o país “novamente a um conflito social”. Para ele, as medidas anunciadas pelo novo governo representam um retrocesso em relação aos avanços democráticos durante a gestão de Gustavo Petro, antecessor de De La Espriella e primeiro presidente de esquerda a governar a Colômbia.

    “Evidentemente, é um movimento que tende a reduzir os avanços democráticos alcançados no passado e a fortalecer o papel do Estado em favor das grandes corporações e dos grandes oligarcas. Esse afastamento das necessidades dos setores populares, para insistir sempre nos benefícios dos mais ricos, é algo que voltará a se impor com este governo.”

    Enquanto a direita avança em boa parte da América Latina e a influência de Washington cresce na região, o Brasil permanece sob um governo de centro-esquerda, sem alinhamento com os Estados Unidos. Para o professor Vladimir Rouvinski, o país, no entanto, não está isolado e ainda exerce um importante peso político sobre os vizinhos sul-americanos.

    Para ele, caso Lula vença as eleições de outubro, o Brasil poderia atuar como uma espécie de contrapeso ao aumento da presença de Washington na América do Sul. “Eu diria que, nesse caso, o Brasil pode desempenhar um papel. Se Lula vencer, o país pode atuar como uma espécie de contrapeso, em muitos sentidos, ao aumento da presença dos Estados Unidos na América do Sul.”


    Apoio de Infantino a Trump foi além de qualquer sede de Copa, diz ONG que pede investigação ao COI Jul 25, 2026
    Show notes

    A organização internacional de direitos humanos FairSquare apresentou uma denúncia ao Comitê Olímpico Internacional (COI) contra o presidente da Fifa, Gianni Infantino, acusando o dirigente de violar as regras de neutralidade política previstas na Carta Olímpica ao demonstrar apoio público ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

    Luciana Rosa, correspondente em Nova York

    Segundo a entidade, Infantino, que também é membro do COI desde janeiro de 2020, está sujeito às normas de neutralidade política e ao Código de Ética da organização olímpica. Para a FairSquare, sua atuação durante a preparação e a realização da Copa do Mundo de 2026 ultrapassou os limites da relação institucional entre a Fifa e o país-sede.

    "O que vimos durante a presidência de Infantino é um padrão de aproximação política com governos como os da Rússia, do Catar e, agora, dos Estados Unidos. Mas, no caso da Copa de 2026, ele foi ainda mais longe", afirmou Alex Carlen, diretor de Pesquisa e Advocacy da FairSquare.

    Segundo Carlen, a proximidade entre Infantino e Trump representa uma escalada em relação ao comportamento adotado pelo dirigente em torneios anteriores. A denúncia cita como principais evidências a entrega do Prêmio da Paz da Fifa, em dezembro de 2025, durante o sorteio da Copa do Mundo de 2026 em Washington, e a participação de Infantino no chamado "Conselho da Paz", evento promovido por Trump em fevereiro.

    Na ocasião, Infantino apareceu usando um boné com as inscrições "USA" e "45-47", referência aos dois mandatos presidenciais de Trump. "No caso de Trump, ele foi além. Passou a endossar a agenda política do presidente", disse Carlen.

    Caso Balogun reforçou a denúncia

    A FairSquare afirma que outro dos principais pilares da denúncia envolve o atacante americano Florin Balogun durante a Copa do Mundo de 2026.

    Segundo a organização, após Trump pedir publicamente a Gianni Infantino que revisasse a expulsão do jogador, a suspensão automática decorrente do cartão vermelho foi revertida, permitindo que Balogun voltasse a atuar na competição. Para a ONG, o episódio levanta dúvidas sobre uma possível interferência política em decisões disciplinares da Fifa.

    Carlen afirma que esse caso foi incorporado à denúncia apresentada ao COI porque ainda não havia ocorrido quando a organização acionou o Comitê de Ética da Fifa.

    "Apresentamos essa denúncia ao Comitê de Ética da Fifa em dezembro e, até hoje, não recebemos qualquer resposta. Não houve sequer uma indicação pública de que uma investigação tenha sido aberta", afirmou.

    Segundo o diretor da FairSquare, o episódio envolvendo Balogun e a entrega do Prêmio da Paz a Trump são hoje "as duas principais evidências" que fundamentam a denúncia apresentada ao Comitê Olímpico Internacional.

    Relação com países-sede

    A organização sustenta que manter boas relações com governos anfitriões é parte do trabalho da Fifa, mas afirma que isso não exige manifestações públicas de apoio político.

    Como exemplo, Carlen cita Canadá e México, que também sediaram a Copa do Mundo de 2026 ao lado dos Estados Unidos.

    "A Fifa conseguiu manter boas relações com Canadá e México sem promover a agenda política de seus líderes. Isso mostra que é possível organizar uma Copa do Mundo sem apoiar um político específico", disse.

    Para a FairSquare, a proximidade entre Infantino e Trump representa uma ruptura com a postura adotada pela Fifa em outras sedes de Mundiais e reforça a necessidade de uma investigação independente.

    O que a FairSquare pede?

    A organização solicita que o Comitê Olímpico Internacional investigue a conduta de Gianni Infantino como membro do COI e determine se suas ações são compatíveis com as regras de neutralidade política previstas na Carta Olímpica e no Código de Ética da entidade.

    A FairSquare afirma que seu objetivo principal é obter uma decisão formal sobre a conduta de Infantino e estabelecer um precedente para futuros dirigentes esportivos, deixando ao COI a decisão sobre eventuais sanções.

    Até o momento da publicação desta reportagem, nem a Fifa nem o Comitê Olímpico Internacional responderam aos pedidos de comentário sobre a denúncia.


    Argentinos festejam o vice-campeonato entre homenagens à seleção e a despedida de Messi Jul 20, 2026
    Show notes

    O apito final deixou os argentinos em um doloroso silêncio. Aos poucos, a tristeza por uma derrota tão perto do quarto título mundial passou a conviver com o orgulho. A iminente despedida de Lionel Messi também levou os argentinos às ruas para agradecer ao ídolo.

    Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires

    Quem desembarcou em Buenos Aires depois de um voo que coincidiu com a final da Copa do Mundo teve a impressão de que a Argentina havia sido campeã. Milhares de torcedores, nas principais cidades do país, lotaram avenidas e praças para homenagear a seleção argentina. A celebração também foi uma forma de amenizar a dor da derrota na final.

    “Simplesmente, acho que temos de agradecer a esta seleção. Chegamos até aqui. É uma equipe maravilhosa. Eles realmente deram tudo de si. Simplesmente, obrigado e desejo o melhor para eles”, diz a torcedora Marta Feijoo, 67. Matías Ferreira, 38, também enaltece o desempenho da seleção argentina nesta Copa.

    “A garra que os jogadores demonstraram em cada partida, o feito que alcançaram, o orgulho que nos deram, a forma como nos representaram, inclusive contra a Inglaterra, uma ferida nossa. Hoje, infelizmente, não foi possível, mas temos de apoiar os jogadores quando voltarem. Temos de recebê-los, porque o que eles fizeram é algo do qual devemos nos orgulhar”, diz Matías.

    A ansiedade de uma final de Copa do Mundo e uma atuação apagada em campo foram sentidas no principal parque de Buenos Aires, onde mais de 50 mil pessoas assistiram à partida.

    Aos poucos, a tensão deu lugar à angústia. Pela primeira vez nesta Copa do Mundo, os argentinos tiveram reações tímidas e quase não cantaram, um comportamento irreconhecível para uma torcida considerada incansável, mesmo diante da adversidade. Ainda com lágrimas nos olhos, Santino, 10, reconhece que a Argentina não jogou bem.

    “A Espanha jogou muito bem. Por isso, mereceu o segundo título mundial. Nós não jogamos bem. Paciência. Agora, temos que sair daqui chateados e um pouco tristes, sem a Copa do Mundo. Vamos continuar em busca do nosso quarto título em 2030”, conforma-se.

    Patricia Castellini, 57, ficou abalada com o gol da Espanha na prorrogação. “Estou muito triste. Esses jogadores mereciam ganhar. São pessoas muito boas e batalhadoras. De qualquer forma, fica o nosso orgulho”, afirma.

    “Tenho orgulho da nossa seleção e orgulho de ser argentina, mas não estou triste porque não acho que tenhamos fracassado. Chegar a uma final não é fácil. Além disso, sou filha de um espanhol. Então, as emoções se misturam”, conta Nélida Pinal, 58. Ao contrário dos ingleses, os argentinos não cultivam rivalidade com a Espanha. A maioria das famílias argentinas descende de espanhóis e italianos.

    Orgulho e tristeza por Messi

    A tristeza não se deve apenas à derrota, mas também à provável despedida de Lionel Messi das Copas do Mundo. Kevin Calo, 17, emociona-se ao imaginar essa ausência no futuro. “É muito triste porque eu não queria que a última Copa do Mundo do Messi terminasse assim. Agora, sem o Messi, vai ser doloroso. Desde que acompanho futebol, o Messi está na seleção. E vê-lo partir também será horrível”, diz Kevin.

    Julia Pinal, 59, vê um vazio na seleção argentina sem Messi, assim como aconteceu após a saída de Diego Maradona. “Como Messi, acho que não haverá outro. Houve um Maradona, houve um Messi. Mas não haverá outro Messi. Vai ser difícil encontrar alguém como ele. Acho que vai ser difícil”, acredita.

    A superstição de Julia ao longo das duas últimas Copas do Mundo era usar uma máscara de Lionel Messi nos momentos difíceis da seleção, como se incorporasse o personagem de seu herói. Desta vez, o ritual da sorte não deu resultado.

    “Nem com a máscara do Messi foi possível. Mas estou satisfeita porque essa equipe nos deu muitas alegrias”, conforma-se. Victor Hugo, 38, diz que “vai levar Messi para sempre no coração”.

    “Porque Messi nos deu muitas alegrias. Messi sai de cena, mas tenho fé de que os demais vão saber vestir essa camisa. Estamos derrotados, mas este é o início de um novo ciclo na Argentina”, observa, otimista. Mas o pequeno Santino sintetiza o temor da maioria. “Não tenho a menor ideia de como será o novo ciclo da Argentina sem Messi, mas sei que vamos perder um pouco de força”, conclui.

    Celebrações e feriado nacional

    A seleção argentina deve chegar à capital do país ainda nesta segunda-feira (20), por volta das 17h. O presidente Javier Milei disse que vai decretar um feriado de 24 horas, dependendo do que os jogadores e a comissão técnica decidirem sobre uma celebração.

    O mais provável é que, diante do clamor popular, haja uma celebração na terça-feira (21). Milhares de torcedores permaneceram nas ruas até a madrugada, como se comemorassem a conquista de um título.

    No centro de Buenos Aires, houve distúrbios e confrontos com a polícia. De um lado, garrafas e pedras; do outro, balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo. Dez pessoas ficaram feridas, sete delas policiais. Quinze pessoas foram presas.


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