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    O Assunto

    Um grande assunto do momento discutido com profundidade. Natuza Nery vai conversar com especialistas, com personagens diretamente envolvidos na notícia, além de jornalistas e analistas da TV Globo, do g1, da Globonews e demais veículos do Grupo Globo para contextualizar, explicar e oferecer diferentes pontos de vista sobre os assuntos mais relevantes do Brasil e do mundo.

    O podcast O Assunto, em comemoração aos 5 anos de existência, selecionou os 10 episódios essenciais para todo ouvinte na playlist ‘This Is O Assunto’. Ouça agora no Spotify:

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    Latest Episodes:
    China: limites da política de Covid zero Jan 20, 2022
    Show notes

    Um cordão sanitário nas fronteiras e dezenas de milhões de pessoas em lockdowns focalizados. Às vésperas de seu principal feriado e de um evento global em Pequim, o país que primeiro identificou o novo coronavírus segue com as medidas mais draconianas para contê-lo. Aliada a uma taxa de vacinação superior a 85%, essa estratégia conseguiu segurar as mortes pela doença num patamar comparativamente baixo (em torno de 5 mil registradas desde o início da pandemia, contra mais de 850 mil nos EUA, por exemplo). Mas agora é questionada tanto do ponto de vista da eficácia (a variante ômicron já está presente em pelo menos 7 das 31 províncias) quanto de efeitos colaterais (recuperação insuficiente da atividade). Professor da Fundação Dom Cabral e da Universidade de Nova York em Xangai, o economista Rodrigo Zeidan conta como funciona na prática: “Se um caso for detectado num condomínio, as autoridades fecham o lugar com quem estiver dentro” e promovem testagem em massa. Empresas e governos estrangeiros podem torcer o nariz, mas essa abordagem tem “alto apoio popular”, afirma. Participa também do episódio o jornalista Carlos Gil, que por mais de três anos foi correspondente da TV Globo na Ásia. É ele quem explica as rígidas regras da “bolha” onde ficarão atletas e demais envolvidos nas Olimpíadas de Inverno, a partir de 4 de fevereiro na capital chinesa. Como público, nas arenas, apenas convidados e em número restrito. Gil compara esse ambiente ao dos Jogos de Tóquio, em 2021. “Na China, quem pisar fora do circuito fechado vai sofrer sanções”, até mesmo deportação.


    A panela de pressão do funcionalismo Jan 19, 2022
    Show notes

    Os atos desta terça-feira em Brasília são o capítulo mais recente de um movimento que começou ainda em 2021, quando Jair Bolsonaro operou para que fosse incluído, no Orçamento deste ano, R$ 1,7 bilhão destinado a reajustar os salários dos policiais federais, cujo apoio o presidente espera obter nas urnas em outubro. O tratamento diferenciado deflagrou reivindicações de servidores da Receita Federal e do BC, principalmente, mas reverbera em dezenas de outras categorias, com gestos de advertência e ameaças de paralisação. Neste episódio, O Assunto procura entender distorções e suas consequências conversando com os economistas Bruno Carazza e Daniel Duque. "É um grupo articulado e poderoso da administração pública", diz Carazza, doutor em direito e colunista do Valor Econômico, sobre os setores que lideram a atual temporada de reivindicações. Ele, que finaliza um livro a respeito do tema, resgata as origens da disparidade de remuneração e defende uma reforma que “racionalize carreiras e institua um sistema sério de avaliação". Pesquisador do Ibre-FGV, Duque detalha estudo comparativo da evolução salarial de diferentes categorias na última década, mostrando quem ganhou e quem perdeu da inflação. E chama a atenção para uma peculiaridade nacional: “O Brasil gasta com o Judiciário 3 vezes mais do que países desenvolvidos. Temos essa jabuticaba para resolver”.


    Djokovic: quando a lei vale para todos Jan 18, 2022
    Show notes

    Ele era o favorito para vencer o Aberto da Austrália, iniciado no domingo passado. O título seria seu 21º de Grand Slam, feito inédito na história do tênis. Mas, em vez de desfilar talento nas quadras de Melbourne, o número 1 do mundo foi deportado depois de uma queda-de-braço com as autoridades locais: o sérvio de 34 anos desembarcou sem ter tomado vacina contra a Covid, e ainda mentiu no formulário de imigração para burlar a perspectiva de quarentena. “Hoje, ele também não poderia disputar Roland Garros (França) e o US Open (Nova York)”, complementa Guga Chacra. Na conversa com Renata Lo Prete, o comentarista da Globo nos EUA detalha a carreira de um dos maiores tenistas de todos os tempos e relembra outros episódios de negacionismo em que ele se envolveu na pandemia -a lista inclui a promoção de um torneio sem nenhum protocolo restritivo e a realização de entrevista (sem máscara) após teste positivo para a doença. “A Austrália entendeu que ele é uma ameaça à segurança pública”, avalia Deisy Ventura, professora titular de ética da Faculdade de Saúde Pública da USP, sobre a decisão do governo, referendada por uma corte federal. A pesquisadora ainda analisa a diferença entre três diferentes políticas de estímulo à vacinação, a partir de exemplos do Brasil, do Canadá e da Áustria – que está prestes a impor a imunização a todos os adultos maiores de 18 anos.


    A falta de fiscalização no turismo de natureza Jan 17, 2022
    Show notes

    A tragédia de Capitólio, em Minas Gerais, colocou em evidência a falta de regulamentação para a visitação de atrações naturais no Brasil – e, consequentemente, o risco que oferecem aos turistas. Depois da paralisação quase total no setor durante a pandemia, o turismo voltou a aquecer no país, principalmente a partir de setembro, informa Luiz Del Vigna, diretor-executivo da Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura. Em entrevista a Natuza Nery, ele fala sobre o crescimento da procura por contato com o ambiente natural - “para descomprimir as tensões da pandemia” - e alerta para o problema colateral: a segurança. Seu diagnóstico relaciona a falta de cuidado dos próprios viajantes, a situação de informalidade de muitos profissionais do setor e, principalmente, a falta de fiscalização sobre a legislação vigente. “Precisamos minimizar os riscos para a aventura ocorrer somente no campo do imaginário”. A geóloga Joana Paula Sanchez, professora da Universidade Federal de Goiás, chama atenção para a falta de estrutura das pequenas cidades, cuja população pode até dobrar de tamanho durante feriados ou férias escolares. “Não tem hotéis ou mesmo saneamento básico suficiente”. Ela também alerta os turistas sobre os maiores perigos e recomenda o que fazer para garantir uma viagem segura.


    A falta de exames e o autoteste para Covid Jan 14, 2022
    Show notes

    Desde as últimas semanas de 2021, a demanda por diagnóstico cresceu como há muito não se via. Resultado, afirmam especialistas, de uma “tempestade perfeita” que atingiu o Brasil: um mix de festas de fim de ano, contágio acelerado da variante ômicron, surto de casos de gripe H3N2 e descuido nas medidas não farmacológicas de contenção do vírus. Neste episódio, a jornalista Ana Carolina Moreno, repórter de dados da Globo em São Paulo, conta como a procura por testes subiu quatro vezes desde novembro – e que a taxa de positividade explodiu de 9% para 30%. Ela também revela que os principais distribuidores no Brasil já estão em processo de reposição de estoque: “Já fizeram as compras e tem grande volume de testes em trânsito para cá”. Natuza Nery ouve também Claudio Maierovitch, coordenador do núcleo de epidemiologia e vigilância de saúde da FioCruz, que explica a importância da testagem em massa para o estabelecimento de políticas públicas de saúde: “Permite diminuir a velocidade com que o vírus se espalha”. Ele, que foi diretor da Anvisa entre 2002 e 2008, alerta para o risco de que a alta velocidade de transmissão sem a medição adequada pode resultar em mais casos graves e óbitos “sem que os sistemas de saúde tenham se preparado para isso”. E recorda os primeiros meses da pandemia: “Tenho a impressão de que estamos no começo de novo: propagação rápida e testes insuficientes”.


    Burnout: o esgotamento do trabalho Jan 13, 2022
    Show notes

    A partir de 1º de janeiro deste ano, a OMS incluiu a síndrome relacionada ao trabalho na classificação internacional de doença. Já há anos, o número de pessoas que recebem o diagnóstico cresce, mas houve um boom durante a pandemia – estima-se que, no Brasil, cerca de um terço da população seja afetada. A então publicitária Carol Milters sofreu em duas oportunidades: sintomas como dores no peito, reincidência em infecções e exaustão a afastaram de dois empregos. Hoje, ela, que mora na Holanda, é autora do livro “Minhas páginas matinais: crônicas da síndrome de burnout” e relata sua experiência ao Assunto. Também neste episódio, Natuza Nery conversa com a psicanalista Vera Iaconelli, que fala sobre a importância da decisão da OMS para jogar luz sobre a “patologia social” das relações laborais. E alerta: “Precisa tomar cuidado para entender que o problema não é com a pessoa, mas com a lógica de trabalho”. Ela explica as características da síndrome que, entre outros sintomas, leva à crença de que o trabalho deve “tomar todo o espaço” da vida e de que seus esforços “nunca são o suficiente”. Natuza e Vera falam também dos recortes de gênero e de raça em relação ao aumento de casos, que se multiplica principalmente entre mulheres e, sobretudo, mulheres negras. “Trabalhar cansa, mas não adoece”, resume Vera.


    Explosão da ômicron: como ela mudou a pandemia Jan 12, 2022
    Show notes

    O tsunami de infecções provocado pela nova variante registra, dia após dia, recorde no número de casos: no mundo, foram mais de 3,2 milhões em 24 horas; no Brasil, a média móvel subiu mais de 600%. Trata-se de um cenário inédito na pandemia, que o médico Márcio Bittencourt, mestre em saúde pública e professor da Universidade de Pittsburgh (Estados Unidos), explica neste episódio. Em entrevista a Natuza Nery, ele esclarece por que é possível deduzir desta nova onda conclusões otimistas. “Não é só o vírus que mudou, mas seu hospedeiro também”, afirma. “Hoje estamos mais protegidos e imunizados”. A lógica é a seguinte: embora a ômicron seja “intrinsicamente mais transmissível” e “escape da imunidade”, a vacinação se provou capaz de reduzir o risco de internação ou complicação decorrente da Covid em até 20 vezes. No entanto, embora as evidências científicas demonstrem que a nova variante é cerca de 30% menos grave do que a variante dominante anterior, a delta, sua alta transmissibilidade ameaça sobrecarregar os sistemas de saúde em todo o mundo – inclusive no Brasil – e coloca em risco principalmente as crianças, ainda não imunizadas. A retomada de atividades cotidianas, como ir a festas ou voltar ao trabalho presencial, expõe a população adulta a novas contaminações e “essas pessoas, que são as que mais interagem com as crianças, acabam levando o vírus para casa”. Bittencourt ressalta que novas medidas de enfrentamento à Covid devem levar em conta, além dos índices de saúde pública, fatores como economia e convívio social. Mas que, agora, estamos em um momento no qual “se não houver medidas de contenção novamente, a transmissão seguirá intensa e irá infectar grande parte da população”.


    Por que está chovendo tanto? Jan 11, 2022
    Show notes

    Em 2021, o Brasil passou por uma estiagem que fez a conta de energia subir e acendeu o alerta vermelho do risco de um apagão. Isso até dezembro chegar. De lá pra cá, todas as regiões do país sofreram com enchentes, inundações e deslizamentos de terra decorrentes do intenso volume de chuvas. O sul da Bahia foi a primeira região a enfrentar a força das águas, que agora devastam Minas Gerais. Um evento que, descreve Marcelo Seluchi, coordenador-geral do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), pode ser considerado o “maior desastre das últimas décadas” no Estado. Em entrevista a Natuza Nery, ele explica a “zona de convergência do Atlântico Sul”, fenômeno que é o principal responsável pela alta na precipitação fluviométrica, e justifica que, embora as tragédias deste verão não estejam diretamente vinculadas às mudanças climáticas, a tendência é de mais irregularidades no regime de chuvas. “Não vai aumentar a média, mas as oscilações. Os extremos, tanto chuvas mais intensas como secas mais longas, serão mais comuns”. Neste episódio, participa também Pedro Luiz Côrtes, professor de ciência ambiental do Instituto de Energia e Ambiente da USP. Ele lista os principais mecanismos de mitigação dos eventos climáticos extremos no Brasil e resume: “A palavra-chave é prevenção”.


    Cerrado: um bioma sob ameaça Jan 10, 2022
    Show notes

    Ele é o segundo maior do Brasil e ocupa uma área de quase um quarto do território nacional, mas está em vias de ser deixado à mercê do desmatamento. A partir de abril, o Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe) irá encerrar o projeto que monitora a destruição do Cerrado – cujo custo anual é de R$ 2,5 milhões. “Falta visão estratégica”, resume Mercedes Bustamante, professora do departamento de ecologia da UnB e integrante da Academia Brasileira de Ciências, em relação ao fim do monitoramento. Ela explica que a “savana mais biodiversa do mundo” tem uma importância hidrológica que impacta todas as regiões do país. “Garante a segurança hídrica, energética e alimentar do Brasil”. E conclui que o avanço do agronegócio na conversão de terras é um “tiro no pé”. Também neste episódio, Natura Nery entrevista o jornalista Fábio Campos, da TV Anhanguera, afiliada da Globo em Goiás, que há duas décadas trabalha no Cerrado. Ele descreve a paisagem local, com suas “árvores baixas, troncos retorcidos e coloração amarelada” e conta por que os pesquisadores têm tanta urgência em estudar a região – que, informa, está sendo dizimada. “Hoje, as unidades de conservação representam 3% do que é o bioma”, informa. “O resto do Cerrado já não existe mais”.


    Apagão: Brasil sem dados na pandemia Jan 07, 2022
    Show notes

    Quando os sistemas do Ministério da Saúde sofreram um ataque hacker, em 10 de dezembro, o número de casos, hospitalizações e mortes por Covid estava no nível mais baixo do ano até então. Mas isso antes das celebrações de fim de ano, do surto de gripe em várias cidades e do avanço da variante ômicron, que já representa mais da metade das contaminações no país. Desde então, já há quase um mês, as autoridades sanitárias brasileiras enfrentam a pandemia de olhos vendados, sem os dados necessários para frear a nova onda de infecções - a taxa de positividade nos laboratórios particulares cresce acima de dois dígitos e os hospitais já registram lotação de leitos. “Informação é poder e não faz sentido a gente não ter”, diz Julio Croda, integrante da Fundação Oswaldo Cruz e presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical. Em entrevista a Natuza Nery, o infectologista detalha o que faz cada um dos sistemas integrados do SUS e qual o caminho da informação do atendimento nas unidades de saúde até a consolidação no Ministério. Ele também revela que conversou com diversos técnicos que trabalham com a rede do SUS – eles afirmam que “esse sistema poderia ser restabelecido em dias”. "O ataque hacker não justifica a lentidão”. Neste episódio, participa também Leonardo Bastos, pesquisador do Programa de Computação Científica (Procc), da Fiocruz, que explica como funciona a análise dos dados para a avaliação que guia as possíveis ações de políticas públicas no combate à Covid. “Tendo essas informações, as autoridades podem fazer algo, como abrir mais leitos”, afirma. “Inclusive o cidadão pode olhar para isso e pensar: ‘opa, não vou mais àquela festinha que eu ia’”.


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