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    O Assunto

    Um grande assunto do momento discutido com profundidade. Natuza Nery vai conversar com especialistas, com personagens diretamente envolvidos na notícia, além de jornalistas e analistas da TV Globo, do g1, da Globonews e demais veículos do Grupo Globo para contextualizar, explicar e oferecer diferentes pontos de vista sobre os assuntos mais relevantes do Brasil e do mundo.

    O podcast O Assunto, em comemoração aos 5 anos de existência, selecionou os 10 episódios essenciais para todo ouvinte na playlist ‘This Is O Assunto’. Ouça agora no Spotify:

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    Latest Episodes:
    Juro básico de volta aos 2 dígitos Feb 03, 2022
    Show notes

    Em menos de 12 meses, a Selic saltou de seu piso histórico (2% ao ano, em março de 2021) para os 10,75% anunciados nesta quarta-feira, num acréscimo de 1,5 ponto percentual. E com nova alta já contratada para a próxima reunião do Copom. O movimento tende a frear ainda mais uma atividade econômica já vagarosa, mas, na avaliação Sergio Lamucci, editor-executivo do Valor Econômico, não restava alternativa: “O Banco Central está sozinho” na causa de conter a inflação. Ele analisa como, em um cenário de câmbio desvalorizado, incerteza eleitoral e risco fiscal, o BC lança mão da política monetária para tentar reduzir à metade o IPCA, o que mesmo assim manteria a inflação acima do centro da meta para 2022 (3,5%). Como dano colateral, além da redução da atividade, ele prevê a retomada da trajetória de crescimento da dívida pública. Neste episódio, Renata Lo Prete conversa também com o economista Silvio Campos Neto, da Tendências Consultoria, sobre o fim da era de juros muito baixos no mundo, que terá como próximo e importante capítulo o início, em março, de um ciclo de aperto monetário nos EUA. “O que se espera é a redução do fluxo de capitais para países emergentes, como o Brasil, e um dólar ainda mais forte”.


    O Brasil que lincha: o caso Moïse Feb 02, 2022
    Show notes

    Agredido com socos, chutes e pauladas porque, de acordo com depoimentos da família, reivindicava dois dias pendentes de remuneração no quiosque onde trabalhava, na orla da Barra da Tijuca. Moïse Kabamgabe, 25 anos, encontrou a morte no país que sua mãe escolheu para criar os filhos, de modo a afastá-los da instabilidade violenta do Congo. Um caso no qual racismo e xenofobia se misturam a uma barbaridade que tem raízes profundas em nossa história: os “justiçamentos de rua”. Estudioso do tema, sobre o qual escreveu um livro, o sociólogo José de Souza Martins, professor emérito da USP, identifica no assassinato brutal de Moïse “um novo tipo de linchamento dentro de uma cultura de linchamentos”. Novo porque associado não a acusações de furto ou estupro, mais recorrentes, e sim a relações de trabalho, que vêm sofrendo um visível processo de degradação. Na conversa com Renata Lo Prete, Martins reflete sobre o “comportamento de multidão” dos linchadores. “Na multidão, o responsável pelo crime é sempre o outro”, observa. E portanto, sob a ótica dos agressores, não é ninguém. Ele lembra que linchamentos são também uma expressão de medo -do novo e do diferente. E que nossa sociedade é, com o estímulo do governo, cada vez mais “uma sociedade do medo”. Participa ainda do episódio Luana Alves, repórter da TV Globo no Rio, que conversou com a mãe e os irmãos de Moïse: “Uma família que fugiu de uma realidade difícil em sua terra natal e, mesmo assim, permaneceu unida e afetuosa”.


    A vida na Ucrânia à espera dos russos Feb 01, 2022
    Show notes

    Há 9 meses o país assiste ao deslocamento de um contingente que hoje soma mais de 120 mil soldados em suas fronteiras. Nos últimos dias, escalaram também as ameaças de Washington a Moscou, as réplicas desafiadoras de Vladimir Putin e o bate-cabeça de líderes europeus (mais expostos do que os EUA às consequências de um eventual descontrole na região). Mas, e os ucranianos? Consideram a invasão iminente? O que pensam sobre ser palco de um conflito em que se chocam interesses das grandes potências? “Uma frase que circula aqui é ‘se a gente sentir medo, eles venceram’”, conta o correspondente da Globo Pedro Vedova, enviado especial a Kiev. “É um país com mais resistência mental do que se pode imaginar”. A situação é diferente, ele explica, em áreas já ocupadas por forças russas ou pró-russas. “No leste da Ucrânia, não é tanto uma questão de se vai ou não ter invasão. É se vai ou não ser pior do que agora”. Na conversa com Renata Lo Prete, Vedova trata ainda da impopularidade do governo de Volodymyr Zelensky e das dificuldades econômicas que o país atravessa. “Antes da revolta de 2014, 12% dos ucranianos eram favor da Otan (aliança militar liderada pelos EUA). Agora, mais da metade são”.


    Deportados: o duro caminho de volta Jan 31, 2022
    Show notes

    Mais de 200 brasileiros devolvidos pelos EUA em um único voo, que chegou a Minas Gerais no último dia 26. O total já supera 3.800 desde que, em 2019, o presidente Jair Bolsonaro resolveu facilitar o processo de expulsão dos ilegais pelas autoridades americanas. Presente ao desembarque no aeroporto de Confins, o jornalista da TV Globo Dener Alano relata o que viu: predominantemente famílias, com “muitas crianças” (90, segundo a Polícia Federal). E ouviu: “São pessoas que tinham colocado uma expectativa grande. Largado emprego, feito empréstimo”. E que revelam ter sofrido, no centro de detenção no Estado do Arizona, vários tipos de agressões, além de passar frio e fome. “Uma refeição por dia”, diz Dener. Às vezes, “só bolacha”. Participa também do episódio o repórter Pedro Figueiredo, que no fim do ano passado cobriu, para o Fantástico, uma operação da Polícia Federal contra esquemas ilegais de entrada nos EUA. Entre eles, o “cai-cai”: “Basicamente, a pessoa se entrega na fronteira em troca de talvez entrar, talvez não. Se estiver acompanhada de criança ou mulher grávida, a chance aumenta”. Daí o uso crescente dos pequenos, expostos a todo tipo de risco. Pedro conta ainda o que descobriu sobre desilusão e ausência de perspectivas conversando com deportados. Um deles, depois de perder tudo o que tinha, está juntando dinheiro para tentar de novo.


    Ômicron: sistema de saúde tomba de novo Jan 28, 2022
    Show notes

    O rápido espalhamento da variante mais contagiosa do coronavírus produz recorde de infectados e volta a sobrecarregar os hospitais: em 6 Estados e no Distrito Federal, a taxa de ocupação de leitos de UTI está acima de 80%, situação crítica que há muito não se via. Em sua maioria menos graves, os casos, no entanto, são tão numerosos que impactam a linha de frente: em poucos momentos da pandemia houve tantos profissionais afastados do trabalho. Para quem fica, o sentimento é de exaustão e perplexidade. "Parece uma doença diferente”, conta a infectologista Ana Helena Germoglio, que quase dois anos atrás acompanhou a primeira paciente grave de Covid do DF e desde então segue atuante nas redes pública e privada da capital federal. “Uma doença do pescoço pra cima”, diz ela, referindo-se à recorrência de sintomas como dor de garganta e de cabeça. “E dos não-vacinados”, pois é esse o status da maior parte dos hospitalizados. Com tanto aprendizado obtido desde 2020, ela lamenta a sobrevivência do negacionismo, inclusive entre médicos. Na semana passada, Ana Helena assistiu à morte de um colega cardiologista, não imunizado e apologista de cloroquina. Para ela, a prioridade, agora, é avançar com a campanha infantil: “O adulto vacinado é como uma casa com muros; a criança sem vacina é uma casa sem muros, que o ladrão vai invadir”.


    Negacionismo: Bolsonaro dobra a meta Jan 27, 2022
    Show notes

    Quando muitos pensavam que o governo federal havia se conformado minimamente às realidades da pandemia, o Brasil vê renascer a disposição das autoridades para atrapalhar a vacinação, desta vez do público infantil, e promover um remédio que o mundo inteiro sabe, há tempos, ser ineficaz contra a Covid. Para o jornalista Carlos Andreazza, trata-se de um “padrão pendular” de conduta: “estica ao máximo a corda, e depois recua”. Ele reconhece, porém, pelo menos uma diferença na atual ofensiva: sem CPI, o presidente está convencido de que pode ultrapassar qualquer limite e tratar da crise sob o único prisma que lhe interessa, o eleitoral. “É a convicção de que, se segurar 15% de fiéis, alimentar os radicais, irá ao 2º turno”, diz o colunista do jornal O Globo e comentarista da rádio CBN. Na conversa com Renata Lo Prete, Andreazza observa também que o “fator ômicron” (mais gente pegando a doença, ainda que com quadros menos graves) fomenta a disseminação de fake news sobre vacinas. E lembra que essa confusão “com método” tem consequências na ponta: das reiteradas ameaças a funcionários da Anvisa à dificuldade para fazer a campanha das crianças decolar, providência que os epidemiologistas consideram indispensável para controlar o contágio.


    Federação partidária: como vai funcionar Jan 26, 2022
    Show notes

    Um tipo de associação em que as legendas preservam autonomia operacional e financeira, mas atuam em bloco no Legislativo e permanecem juntas por, no mínimo, 4 anos, num desenho que precisa ser respeitado tanto no palanque federal quanto nos regionais. Aprovada em setembro de 2021, a modalidade surgiu como resposta à cláusula de desempenho, que cobra dos partidos um piso de deputados federais para ter acesso a recursos públicos e tempo de TV. É o que explica neste episódio a cientista política Lara Mesquita, da FGV, identificando ainda outro fator na origem da ideia da federação: encontrar substituta para as extintas coligações em eleições proporcionais. Na conversa com Renata Lo Prete, Lara enumera semelhanças e diferenças entre coligação e federação, e aponta as duas maiores pedras no caminho desta última: a exigência de “verticalização” das alianças (cronicamente rejeitada pelos políticos) e as queixas, que começam a aparecer, à duração de 4 anos. Direto de Brasília, o repórter da Globo Nilson Klava atualiza as tratativas em curso para compor federações. A mais avançada é a que reúne PT, PSB (ambos reivindicam no TSE ampliar o prazo para concluir as negociações, atualmente fixado em 1º de março), PC do B e PV.


    A vez dos games nos grandes negócios Jan 25, 2022
    Show notes

    O recente movimento feito pela Microsoft chama a atenção primeiro pela cifra: quase US$ 69 bilhões (aproximadamente R$ 380 bilhões) para adquirir a Activision Blizzard. Ela é responsável por franquias consolidadas no mundo dos jogos interativos (como Call of Duty, Candy Crush e WarCraft), mas a importância do acerto vai muito além: mostra o quão central, para as empresas de tecnologia, tornou-se um mercado que movimentou quase US$ 200 bilhões em 2021. Com quase 3 bilhões de usuários (mais de um terço da população do planeta), os games já superam em valor ramos tradicionais da indústria do entretenimento, como o cinematográfico. Neste episódio, Vicente Martin Mastrocola, professor de Sistemas de Informação da ESPM, detalha as implicações dessa compra, que levará a Microsoft ao terceiro lugar no ranking do setor, atrás apenas da chinesa Tencent e da japonesa Sony. "A Microsoft, proprietária do Windows e do Xbox, vai investir pesado na integração desses jogos dentro de sua plataforma", diz. “O objetivo é conectar várias telas, como computador, consoles, tablets e smartphones, em um ecossistema só.” Na conversa com Renata Lo Prete, ele discute também o papel dos games na aposta da indústria no metaverso (integração de universos virtuais com o físico por meio de tecnologia imersiva).


    Vida e obra de Elza Soares, por Ruy Castro Jan 22, 2022
    Show notes

    Neste episódio especial, antecipado para homenagear uma de nossas maiores cantoras, O Assunto recebe o jornalista e escritor, profundo estudioso da música brasileira. Ele conduz o ouvinte por marcos da trajetória de Elza, que morreu na quinta-feira aos 91 anos: da estreia no programa de rádio de Ary Barroso, em 1953, à colaboração com jovens compositores em anos recentes, passando pela histórica gravação de “Língua”, de Caetano Veloso, que a resgatou de um período de ostracismo na década de 80. "Ela cantava muito com o corpo. Impressionante como tinha mobilidade, uma potência não só vocal, mas do corpo todo”, diz. Biógrafo de Garrincha, com quem Elza viveu longo e conturbado casamento, Ruy a entrevistou dezenas de vezes para a feitura do livro, colhendo em primeira mão relatos das adversidades enfrentadas desde a infância de menina negra na favela até a luta, em vão, contra o alcoolismo do jogador. "Ela encarava tudo”, afirma. “É uma coisa espantosa que tenha ‘recomeçado’ a carreira aos quase 80". Elza realmente “cantou até o fim”, conforme letra da canção destacada no obituário do jornal americano “The New York Times”. Dessa extensa produção, Ruy não titubeia quando chamado a escolher sua fase favorita: é a dos sambas, em especial até o início dos anos 70. Nesse capítulo, diz, não teve pra mais ninguém.


    Os arrastados, 3 anos de Brumadinho Jan 21, 2022
    Show notes

    No calendário, 25 de janeiro de 2019. Na vida de bombeiros, legistas e, principalmente, familiares dos 270 mortos, o maior desastre humanitário da história do país segue em curso - e não apenas porque seis das vítimas ainda não foram encontradas na lama e nos rejeitos liberados com o rompimento da Barragem 1 da mina Córrego do Feijão, da Vale. Neste episódio, O Assunto recebe Daniela Arbex, que reconstituiu cada detalhe do dia fatídico e deu voz a dezenas de personagens da tragédia em seu novo livro, “Arrastados”. O título remete a algo que a jornalista aprendeu acompanhando o trabalho incansável de médicos e técnicos do IML de Belo Horizonte: sem pele, “todos ficaram iguais na morte”. Na conversa com Renata Lo Prete, Daniela resgata as evidências de que a mineradora sabia, desde pelo menos um ano antes, dos riscos de rompimento da B1 - e da escala da destruição que isso provocaria. Sobre a luta inacabada dos sobreviventes por Justiça e reparação, ela diz: “Quando você é arrancado de seu lugar de origem, você passa a ser de lugar nenhum”.


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