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    O Assunto

    Um grande assunto do momento discutido com profundidade. Natuza Nery vai conversar com especialistas, com personagens diretamente envolvidos na notícia, além de jornalistas e analistas da TV Globo, do g1, da Globonews e demais veículos do Grupo Globo para contextualizar, explicar e oferecer diferentes pontos de vista sobre os assuntos mais relevantes do Brasil e do mundo.

    O podcast O Assunto, em comemoração aos 5 anos de existência, selecionou os 10 episódios essenciais para todo ouvinte na playlist ‘This Is O Assunto’. Ouça agora no Spotify:

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    Latest Episodes:
    A vitória de Lula para 3° mandato inédito Oct 31, 2022
    Show notes

    Estavam apuradas mais de 98% das urnas quando o TSE anunciou o resultado oficial da eleição para Presidente. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registrou a maior votação da história do país: foram mais de 60 milhões de votos, o que garantiu a ele 50,90% do total de válidos - diante de um uso nunca visto antes da máquina pública a favor de Jair Bolsonaro (PL). “Uma vitória nos minutos finais da prorrogação”, sintetiza Thomas Traumann, pesquisador da Fundação Getúlio Vargas. Na madrugada desta segunda-feira, ele e Renata Lo Prete analisaram os dois discursos do presidente eleito: o primeiro para seus correligionários, e o segundo, para a militância, na Avenida Paulista. “Foram mensagens muito claras”, afirma o jornalista. Lula sabe que vai assumir um “país partido” e que precisa pregar um governo de amplo espectro. O petista também reconhece “que o PT sozinho não teria ganho essa eleição”: daí a importância da ampla aliança construída no 2º turno com Simone Tebet (MDB), Marina Silva (Rede) e o grupo de economistas responsáveis pelo Plano Real - além da presença de seu vice, Geraldo Alckmin (PSB). Para Traumann, no entanto, essa “grande tenda” organizada por Lula tem contradições naturais: “O que unia todo mundo era o movimento contra Bolsonaro”. Agora, entende, o presidente eleito – que assume o Planalto em 1º de janeiro de 2023 - terá que aglutinar essas forças para serem “a favor de outras pautas”.


    Taxa de abstenção: a incógnita final Oct 28, 2022
    Show notes

    Mais de 32 milhões de brasileiros não compareceram ao 1º turno, número que representa quase 21% do total de aptos a votar. “É um problema para a sociedade”, considera o cientista político Antonio Lavareda, convidado de Renata Lo Prete neste episódio. Na avaliação dele, não é natural que tantos abdiquem de participar do “principal momento da democracia”. Professor colaborador da Universidade Federal de Pernambuco e presidente do Conselho Científico do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), Lavareda explica como, em uma reta final tão acirrada, a abstenção se tornou variável de peso, e por que ela tem potencialmente mais impacto sobre o desempenho de quem está na frente - no caso da disputa presidencial, Lula (PT), que aparece com 5 pontos de vantagem sobre Jair Bolsonaro (PL) no Datafolha divulgado nesta quinta-feira. Lavareda discute o papel da gratuidade do transporte público, ampliada no 2º turno, para garantir o exercício do voto aos eleitores mais vulneráveis. “Tirar dinheiro do bolso para votar afasta compulsoriamente muitos brasileiros da urna”, diz. E recomenda olhar com especial atenção para o comparecimento no Sudeste e no Nordeste: “A abstenção pode alterar profundamente o desenvolvimento dos fatores políticos de um país”.


    O papel de Minas no desfecho da eleição Oct 27, 2022
    Show notes

    Segunda maior concentração de votantes do país, único Estado do Sudeste a dar vitória a Lula (PT) em 2 de outubro. Ali, a vantagem percentual do petista sobre Jair Bolsonaro (PL) foi praticamente a mesma do resultado nacional. Isso porque, explica Bruno Carazza, Minas Gerais é, sob vários aspectos, uma síntese do Brasil. Na conversa com Renata Lo Prete, o colunista do Valor Econômico analisa o desempenho dos dois candidatos por região do Estado no primeiro turno e as seguidas visitas de ambos nas últimas quatro semanas. Avalia o peso da máquina comandada pelo governador reeleito Romeu Zema (Novo), agora a serviço do presidente. E elenca também os apoios reunidos por Lula, que luta para conservar ao menos parte dos cerca de 600 mil votos de dianteira que obteve entre os mineiros. Carazza chama a atenção ainda para os números da abstenção, que foi elevada em partes do interior. Em Minas, conquista estratégica para a vitória nacional, “cada voto conta”.


    Eleição: a batalha do salário mínimo Oct 26, 2022
    Show notes

    Na cabeça de Paulo Guedes desde a largada do governo Bolsonaro, a ideia de desatrelar o mínimo das aposentadorias (que assim não teriam mais correção pela mesma regra) voltou ao noticiário. O vazamento, em pleno segundo turno, de um estudo do Ministério da Economia sobre formas de cobrir o rombo fiscal deixado pelo esforço pró-reeleição obrigou o presidente a jogar a bola para o mato. Bolsonaro agora promete dar aumento real ao salário (o que não fez no primeiro mandato), sem, no entanto, esclarecer o que aconteceria com as aposentadorias. Neste episódio, Renata Lo Prete conversa com Valdo Cruz, comentarista da Globonews e colunista do g1, para entender a disputa dentro do governo e por que o comparativo com a gestão Lula é especialmente desfavorável a Bolsonaro nesse quesito. Participa também João Saboia, professor de emérito da UFRJ. É ele quem explica a centralidade do salário mínimo na discussão econômica brasileira e seu papel na redução da pobreza e da desigualdade.


    Caso Jefferson: baderna bolsonarista Oct 25, 2022
    Show notes

    Depois de desrespeitar seguidas vezes as condições que lhe permitiam cumprir pena em regime domiciliar, o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB) recebeu com dezenas de tiros de fuzil e três granadas os policiais federais que foram cumprir a ordem judicial de prendê-lo. De gravidade inédita, o incidente suscita uma série de perguntas ainda sem resposta, começando pela mais flagrante: “como um condenado tinha esse arsenal em casa?”, indaga Andréia Sadi, apresentadora do Estúdio i (GloboNews) e colunista de política do g1. Em conversa com Renata Lo Prete, ela mostra como o evento de domingo desnorteou as milícias digitais a serviço de Jair Bolsonaro. De início, elas formaram uma espécie de corrente de defesa do criminoso - que, ao reagir a bala e desrespeitar o Supremo, nada mais fez do que seguir, de forma literalmente explosiva, a cartilha do presidente. Só que este, ao perceber o risco eleitoral envolvido, procurou se dissociar do aliado. Operação difícil, considera Sadi. “Ele esqueceu de combinar com a turma e deixou o bolsonarismo nu”, diz. Fora os rastros da ligação entre ambos, como o onipresente Padre Kelmon (prestador de serviços para Bolsonaro no primeiro turno, “negociador” na cena da rendição do delator do mensalão). A jornalista avalia ainda as semelhanças com o caso Daniel Silveira, outro petebista de extrema-direita condenado, ao qual o presidente concedeu perdão. Para Sadi, tudo indica que Bolsonaro se inclinava a fazer o mesmo com Jefferson, mas a campanha eleitoral e o atentado contra os agentes inviabilizaram esse caminho.


    Amazônia urgente: o impacto no clima Oct 24, 2022
    Show notes

    O desmatamento acelerado da floresta está no topo das preocupações globais com o aumento das temperaturas e os eventos extremos em diferentes pontos do planeta. E há razões de sobra para isso. Neste episódio do podcast, a cientista Luciana Gatti detalha os resultados do mais recente estudo coordenado por ela no Laboratório de Gases de Efeito Estufa do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Segundo esse trabalho, as emissões de gás carbônico na região dobraram no período 2019-2020, “principalmente por desmantelamento na aplicação da lei”. O volume de precipitações caiu 12% no acumulado (na estação chuvosa, a queda chegou a 26%), e a temperatura média subiu 0,6°. “É a nossa grande fábrica de chuva”, define Luciana. “Que estamos transformando em acelerador das mudanças climáticas”. Na conversa com Renata Lo Prete, ela explica consequências que se estendem para pontos distantes do país e atingem setores essenciais, como a produção de alimentos. Independentemente de quem vencer a eleição presidencial, Luciana não tem dúvida quanto a um ponto: “A Amazônia não aguenta mais quatro anos de destruição”.


    O TSE e a avalanche de desinformação Oct 21, 2022
    Show notes

    Na largada da campanha, o presidente da Corte, Alexandre de Moraes, prometeu coibir abusos de forma “célere, firme e implacável”. Mas o volume de fake news e outras distorções tem desafiado o ministro e seus colegas, em especial neste segundo turno. Em resposta, o tribunal aumentou a pressão sobre as plataformas, abriu investigação em torno de uma rede de notícias falsas que atuaria em favor de Jair Bolsonaro (PL) e concedeu quase duas centenas de direitos de resposta - a maioria à campanha de Lula (PT). Na noite desta quinta, eles foram suspensos, até julgamento em plenário, pela ministra Maria Claudia Bucchianeri. O conjunto das medidas revela “uma estratégia combativa”, nas palavras de Rafael Mafei, professor da Faculdade de Direito da USP. Muitos, no entanto, se perguntam se o cerco não deveria ter começado mais cedo, considerando que se trata da eleição mais mentirosa e violenta já vista no país. “O TSE responde aos desafios do momento”, pondera Mafei. “E o desafio do momento é esse”. Em conversa com Renata Lo Prete, ele recupera os anos de ofensiva planejada de Bolsonaro contra a Justiça Eleitoral e seus principais representantes. E explica como essa operação de desgaste se relaciona com as dificuldades para conter o presidente dentro das regras agora.


    O voto e o peso do agro em 2022 Oct 20, 2022
    Show notes

    No cinturão do agronegócio brasileiro, que atravessa os estados do Sul, passa por São Paulo, integra o Centro-Oeste e chega a porções do Norte, o resultado das urnas no primeiro turno traduziu o expressivo apoio que o setor oferece a Jair Bolsonaro. Os elementos que explicam esse fenômeno, afirma Caio Pompeia, autor do livro “Formação Política do Agronegócio”, são “em parte econômicos e em parte ideológicos”. Em conversa com Renata Lo Prete, o antropólogo e pesquisador visitante na Universidade de Oxford recorda que o “agro se beneficiou muito nos governos petistas”, mas sempre houve resistência a políticas trabalhistas, sociais, agrárias e ambientais implementadas nas gestões Lula e Dilma. A insatisfação se misturou bem à “agenda antiesquerda” promovida pelo atual presidente desde antes da chegada ao Planalto. Assim, ele atraiu para sua órbita principalmente a pecuária e a sojicultura, dois segmentos que, neste ano, se opuseram “ferozmente” aos agroempresários dispostos a dialogar com Lula. “Os líderes do setor são muito conservadores”, ressalta Caio, e muitos foram cooptados para a promoção de pautas “antidemocráticas e contra o STF”. Nos números, o PIB nominal do agro, informa Marsílea Gombata, repórter do jornal Valor Econômico, chegou a R$ 2 trilhões - avanço muito superior, nos últimos quatro anos, ao do conjunto da economia. A expansão, explica a jornalista, tem mais motivações externas do que internas: a alta recorde no preço das commodities, a desvalorização do real diante ao dólar e a integração do agro ao mercado internacional.


    Bolsonaro e a infância roubada Oct 19, 2022
    Show notes

    Em pelo menos três ocasiões, o presidente da República não apenas sexualizou menores de idade venezuelanas como sugeriu que elas estariam se prostituindo. Um caso entre vários protagonizados por ele e por aliados como a ex-ministra Damares Alves, reveladores de um modo de enxergar a infância e a adolescência. Trata-se de mistura de fake news com uma espécie de “solidariedade seletiva”, explica neste episódio a jornalista Fabiana Moraes, do Intercept Brasil. Em “perigosa instrumentalização”, diz, “eles escolhem crianças que possam trazer rendimentos políticos claros”. Enquanto isso, ao longo do atual governo, foram reduzidos drasticamente o volume de recursos e o número de programas voltados para a proteção e promoção de crianças e jovens. Quem detalha esse processo, em conversa com Renata Lo Prete, é Thallita de Oliveira, assessora técnica do Instituto de Estudos Socioeconômicos. Na atual gestão, “a palavra adolescente sumiu do Plano Plurianual (PPA)”, observa ela, integrante de um movimento que reivindica prioridade política e orçamentária para essas faixas etárias. Mantida a atual situação, “o recado é que a gente não quer evoluir como sociedade”.


    Bolsonaro com Moro: qual é a jogada Oct 18, 2022
    Show notes

    Colocado para fora do governo em 2020 com requintes de humilhação, o ex-juiz falou o diabo do presidente - e vice-versa. Frustrado em seu projeto original de concorrer ao Palácio do Planalto, candidatou-se ao Senado pelo Paraná, e obteve sucesso justamente quando se associou de novo à imagem do ex-chefe. Este, por sua vez, levou-o a tiracolo ao debate de domingo para “encarnar a memória do antipetismo”, analisa Carlos Andreazza, âncora da rádio CBN, apresentador do podcast 2+1 e colunista do jornal O Globo. Em conversa com Renata Lo Prete, o jornalista diz que o time de futuros parlamentares ao qual Moro pertence consagrou o bolsonarismo e “anistiou criminosos da pandemia”. Como o “discurso da Lava Jato já não servia mais”, Moro topou representar a “radicalização no sentimento antipetista”. Bom negócio para Bolsonaro, avalia Andreazza, mas de ganho incerto para Moro. Se Lula vencer, o ex-ministro da Justiça ainda poderá tentar se cacifar como alternativa da direita para 2022, a despeito de sua pouca entrada com as forças políticas. Em caso de reeleição, Bolsonaro se afastará rapidamente de Moro, no qual nunca confiou - e vice-versa. “Ambos com razão”, completa Andreazza.


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