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    O Assunto

    Um grande assunto do momento discutido com profundidade. Natuza Nery vai conversar com especialistas, com personagens diretamente envolvidos na notícia, além de jornalistas e analistas da TV Globo, do g1, da Globonews e demais veículos do Grupo Globo para contextualizar, explicar e oferecer diferentes pontos de vista sobre os assuntos mais relevantes do Brasil e do mundo.

    O podcast O Assunto, em comemoração aos 5 anos de existência, selecionou os 10 episódios essenciais para todo ouvinte na playlist ‘This Is O Assunto’. Ouça agora no Spotify:

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    Latest Episodes:
    Estagflação: perigo real e imediato Sep 13, 2021
    Show notes

    A escalada dos preços foi sentida primeiro e não parou mais: a taxa acumulada em 12 meses vai se aproximando dos dois dígitos. Recentemente, somaram-se a isso sinais de que a retomada da atividade patina: o PIB ficou negativo no segundo trimestre. “Não chega a ser recessão, mas praticamente não tem crescimento; e, apesar disso, a inflação está muito elevada”. Assim a economista Silvia Matos, do Ibre-FGV, define o quadro de estagflação que, em seu entender, já se configura no Brasil. Como em outros países, parte do problema se deve à pandemia, mas ela aponta pelo menos dois diferenciais: desvalorização da moeda local muito além da média e acentuada instabilidade política. “O governo contribui para a depreciação cambial”, diz. Embora reconheça o efeito perverso sobre a atividade, Silvia não vê alternativa ao aumento dos juros promovido pelo Banco Central, que tenta ser “bombeiro” enquanto o Planalto “joga gasolina” na inflação. Para abrir espaço no Orçamento aos programas sociais, ainda mais urgentes diante da corrosão da renda das famílias, ela defende o enfrentamento de algumas perguntas inconvenientes. “Precisamos de R$ 35 bilhões para emendas parlamentares?” ou de tantos “benefícios fiscais ineficientes?”.


    A ameaça do bolsonarismo de caminhão Sep 10, 2021
    Show notes

    Por dois meses, o presidente da República insuflou a mobilização de caminhoneiros para o 7 de Setembro. No dia seguinte, o país viu rodovias bloqueadas e, com elas, o fantasma da grande paralisação da categoria em 2018. E daí Jair Bolsonaro teve que “desarmar a bomba que ele próprio armou”, diz Valdo Cruz. O colunista do G1 e comentarista da GloboNews se refere à mensagem de áudio que o presidente enviou, para espanto desses apoiadores, pedindo que liberassem as estradas. Para desativar outra bomba - a da ofensiva contra o Supremo - foi chamado ninguém menos do que o ex-presidente Michel Temer, completando o dia de ressaca do golpismo. Neste episódio, Valdo narra e analisa o bastidor desses eventos, enquanto o economista Claudio Frischtak explica por que a perspectiva de caminhões parados assusta, em especial diante da atividade já fraca e da inflação em alta. Ele observa que desta vez o movimento - estimulado por empresários bolsonaristas - tem demandas "predominantemente políticas". E que, se não for controlado, "todos nós perderemos".


    Um repórter pelo mundo pós-11 de Setembro Sep 09, 2021
    Show notes

    Os atentados fundadores do século 21 produziram alguns de seus efeitos mais duradouros bem longe dos Estados Unidos, onde aconteceram. Para discuti-los, Renata Lo Prete recebe neste episódio o jornalista da TV Globo Marcos Uchôa, que ao longo dessas duas décadas visitou 22 países do mundo islâmico. O primeiro foi aquele em que a chamada guerra ao terror começou e do qual os americanos só agora se retiraram. Ele conta que nunca, em sua trajetória profissional, sentiu tanto medo quanto no Afeganistão. E que, ao mesmo tempo, se lembra de saraus vespertinos "para conversar sobre poemas de 800 anos com idosos, mulheres e crianças". A alternância de análise política e memórias do cotidiano das pessoas que encontrou dá o tom do depoimento de Uchôa sobre suas passagens por lugares como Iraque, Tunísia e Síria. Prestes a lançar uma série no GloboPlay com esse rico material, ele conclui que, duas décadas depois, a questão do terrorismo está longe de ser resolvida. “A vitória do Talibã traz a mensagem de que a violência funciona”, diz.


    O golpismo permanente de Bolsonaro Sep 08, 2021
    Show notes

    O 7 de Setembro não trouxe ruptura, mas deixou claro que o presidente continuará dobrando a aposta na depredação institucional para se manter na cadeira. Ao discursar em dois dos eventos que convocou para a data, ele escalou mais um degrau, declarando abertamente que não pretende respeitar decisões do Supremo (no momento, as do ministro Alexandre de Moraes) e do Congresso (que já enterrou o voto impresso, ressuscitado por Bolsonaro na pregação desta terça). “Uma reação para tentar sair do cerco”, resume Maria Cristina Fernandes, colunista do jornal Valor Econômico e comentarista da Rádio CBN. Ela se refere tanto à ausência de respostas do governo para as crises econômica e social quanto ao avanço de investigações que vão das fake news às rachadinhas da família presidencial, passando pelas suspeitas de corrupção na compra de vacinas. “Bolsonaro pode estar fraco para se reeleger", mas tem ainda um dispositivo para "dar cara de povo a seu golpismo", diz a jornalista, que esteve no ato da avenida Paulista. Na conversa com Renata Lo Prete, Maria Cristina prevê que os ataques a Moraes acabem por “unir ainda mais” os ministros do Supremo. Quanto ao Congresso, embora a palavra impeachment tenha voltado a ser pronunciada, tudo continua a depender do grande ausente neste 7 de Setembro: o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).


    Brasileiros sem documento: os verdadeiros invisíveis Sep 06, 2021
    Show notes

    Segundo o último dado oficial disponível, são cerca de 3 milhões de pessoas que, como Maria Helena Ferreira da Silva, chegam à vida adulta (e eventualmente à idade avançada) sem certidão de nascimento. No caso da agricultora de 70 anos, que vive no interior do Paraná, a carência virou barreira na hora de se vacinar contra a Covid-19. No posto, recomendaram-lhe que se conformasse em ficar sem o imunizante, “porque o governo nem sabia que eu existia”. Ela só veio a receber a primeira dose meses depois, por ação da Defensoria Pública, e agora está perto de conseguir a tão sonhada certidão de nascimento. “A gente fica envergonhado, né?” O relato feito por Maria Helena ao podcast introduz a conversa de Renata Lo Prete com Fernanda da Escóssia, autora do recém-lançado livro "Invisíveis - Uma Etnografia sobre Brasileiros sem Documento", fruto da tese de doutorado da jornalista na Fundação Getúlio Vargas. Ela explica o papel fundador desse registro e o efeito bola de neve que a ausência dele provoca: vai ficando mais difícil obter outros documentos e, com o passar dos anos, limitações muitos concretas se apresentam, notadamente no acesso aos serviços públicos de educação e saúde. Editora na revista Piauí, com longas passagens pelos jornais O Globo e Folha de S. Paulo, Fernanda se interessa há quase duas décadas por um fenômeno que descreve como “transversal”, porque ligado a múltiplos fatores, como miséria e desestruturação familiar. Em sua pesquisa e nesta entrevista, ela conta histórias de pessoas que conheceu no momento em que buscavam o registro de nascimento e reencontrou tempos depois -- quando haviam resgatado direitos, cidadania e às vezes o próprio "fio da vida".


    Os sinais de que o Brasil está secando Sep 03, 2021
    Show notes

    O problema tem escala global. A ONU estima que, nos últimos 20 anos, mais de 1,5 bilhão de pessoas entraram em situação de “insegurança hídrica”. E o Brasil, a despeito de sua riqueza natural, é duramente atingido. A escassez crescente de chuvas, associada a queimadas e desmatamento, se traduz em “quase 16% da cobertura de água perdida nos últimos 35 anos”, informa Sônia Bridi, repórter especial do Fantástico. Em conversa com Renata Lo Prete, ela conta o que viu em suas viagens pelo país: um Pantanal 60% mais seco, um rio Paraguai que se pode cruzar a pé, ribeirinhos sem peixes para pescar e agricultores com a colheita reduzida. “São dramas humanos e da natureza, cujos reflexos se espalham até muito longe dali”. Além do Brasil, África, Austrália e China convivem com a ameaça de estiagens mais longas -ou até crônicas- conforme sobe a temperatura do planeta. Participa também do episódio Gilberto Câmara, ex-diretor do Inpe e integrante do conselho consultivo do último relatório da ONU para a redução de riscos e desastres. Ele explica os modelos científicos que embasam as recomendações das Nações Unidas. “A palavra-chave é adaptação”, diz. “Nosso planejamento precisa contemplar ações de adaptação às crises”.


    A hora e a vez do gabinete de 02 Sep 02, 2021
    Show notes

    Com a autorização da Justiça para quebra dos sigilos fiscal e bancário de Carlos Bolsonaro, o Ministério Público do Rio de Janeiro terá instrumentos para apurar se, além dos indícios de manutenção de fantasmas, o mandato do vereador envolveu outra prática associada a seu irmão mais velho, o senador Flavio, quando deputado estadual: o recolhimento de parte do salário dos funcionários, mais conhecido como rachadinha. Neste episódio, Renata Lo Prete conversa com Juliana Castro, da plataforma Jota, que dois anos atrás participou, como repórter de O Globo, da investigação jornalística que deu origem à ação do MP. Ela descreve a teia de familiares, agregados e conhecidos do clã presidencial espalhada pelos diferentes gabinetes dos Bolsonaro - inclusive o de Jair na Câmara. E explica o papel de destaque desempenhado por Ana Cristina Valle, ex-mulher do presidente e chefe de gabinete de Carlos de 2001 a 2008. Participa também do episódio Octávio Guedes, colunista do G1 e comentarista da GloboNews, que lança a seguinte pergunta: “Quem ensinou Flávio e Carlos a fazer rachadinha?" Ele analisa o que há de semelhante no modus operandi dos gabinetes da família e, ao mesmo tempo, por que Carlos é "tormenta maior no planeta Bolsonaro": mais próximo do pai que qualquer um dos irmãos, ele está sob ameaça também no inquérito das fake news.


    O terror dos grandes assaltos no interior Sep 01, 2021
    Show notes

    Foram pelo menos dez a agências bancárias do país em menos de dois anos, todos com cidades de médio ou pequeno porte como alvo. E características semelhantes: grupo numeroso de executores, armamentos e explosivos de tecnologia avançada, ação espetaculosa e quase sempre conduzida na madrugada. Neste episódio, a antropóloga Jânia Perla, do Laboratório de Estudos da Violência da Universidade Federal do Ceará, resgata o histórico que desembocou nessa modalidade de crime. Ela explica por que “novo cangaço”, termo usado por alguns policiais e analistas, é “nomenclatura imprecisa", que dá caráter rudimentar a algo de planejamento sofisticado e alto potencial de dano. Participa também o jornalista Rafael Honorato, repórter da TV Tem, filiada da Globo no interior de São Paulo. Ele relata o que testemunhou em Araçatuba na madrugada do assalto mais recente. Descreve veículos incendiados e moradores em pânico ao acordar com o barulho dos disparos. “Virou uma cidade deserta, como eu nunca tinha visto”.


    PIB impaciente com Bolsonaro, mas nem tanto Aug 31, 2021
    Show notes

    Num quadro de deterioração das expectativas econômicas e seguidas ameaças do presidente da República à ordem democrática, centenas de representantes dos setores financeiro e produtivo costuraram um manifesto que passa ao largo de qualquer crítica direta, apenas pedindo entendimento entre os Três Poderes em nome da recuperação da atividade. Foi o bastante para que Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal ameaçassem pular fora da Febraban, uma das signatárias. E a publicação do texto acabou adiada (apenas o agronegócio lançou sua carta aberta). Neste episódio, Renata Lo Prete conversa com o jornalista Thomas Traumann sobre o que extrair de significado desse vaivém e da repercussão que o documento alcançou antes mesmo de vir à luz. À diferença de iniciativas anteriores, esta não é de pessoas físicas. “Reverbera muito mais”, diz ele. Autor de livro sobre a trajetória de 14 ministros da Fazenda, Thomas analisa a coincidência de o manifesto entrar em pauta no momento em que aparecem, na avenida Faria Lima, cartazes nos quais a imagem de Paulo Guedes vem acompanhada da expressão “faria loser”. Mesmo perdendo todas, ele "vai ficando", até porque os candidatos a substituí-lo vão desaparecendo. “A sensação é de um governo que já se exauriu em suas pretensões". No vácuo, ganha protagonismo o presidente da Câmara, que negociou pessoalmente o adiamento. “Em nenhum outro governo Arthur Lira teria tanto poder".


    Os indígenas acampados em Brasília Aug 30, 2021
    Show notes

    Em sua maior mobilização em pelo menos 3 décadas, mais de 6 mil representantes de dezenas de etnias marcam presença, há uma semana, nas proximidades do Supremo Tribunal Federal. O motivo é um julgamento, que a Corte deve retomar nesta quarta, cujo desfecho ameaça limitar o que há de mais essencial para esses povos: o direito originário à terra. Neste episódio, Renata Lo Prete recebe duas convidadas: Samara Pataxó, coordenadora jurídica da Articulação dos Povos Indígenas, e Isadora Peron, repórter do jornal Valor Econômico. Samara, entrevistada num intervalo dos trabalhos na manifestação, explica como a tese do “marco temporal” contradiz o texto da Constituição, ao restringir o direito a quem puder comprovar que já estava no território em 1988. A Carta “reconhece claramente que a relação com a terra é ancestral” -- o que, lembra Samara, “não tem relação com critérios temporais”. Ela puxa o fio dessa história, que começa em outro julgamento (do caso da reserva Raposa Serra do Sol, em 2009), passa por decisão tomada na gestão Temer e vem dar na ostensiva política contrária aos indígenas do governo Bolsonaro. A conversa com Isadora esclarece os interesses em jogo no atual julgamento, que trata de disputa envolvendo os Xokleng, de Santa Catarina. Em especial, o interesse do agronegócio pela limitação do direito originário. A repórter adianta a possibilidade de um dos ministros pedir vista, para ganhar tempo. E também a de uma “solução intermediária”, a partir de costura interna no tribunal.


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